quinta-feira, 10 de agosto de 2017

O que o filme "O mínimo para viver" tem a ver com a forma que você come


Crédito: www.marmaid.com.br
Atenção: o texto tem spolier! 

O mínimo para viver é um filme que estreou na netflix há alguns dias. 

O filme retrata a vida de uma garota com transtorno alimentar e como é a dinâmica familiar, o tratamento* e relacionamento com a comida. 

E o mais interessante é que logo no início do filme Ellen (protagonista) aparece junto com sua irmã, Kelly, fazendo a dieta dos pontos. Essa dieta consiste em você contar as calorias dos alimentos e consumir de acordo com algo que fique dentro do que você estipulou como necessidade energética. 

Parenteses para explicar o problema de seguir essa dieta. Nessa dieta a pessoa não leva em consideração seu verdadeiro gasto energético e pode consumir muito abaixo do que necessita. Outro problema é se atentar apenas as calorias e não aos nutrientes. Um prato de arroz, feijão, salada e carne pode ter mais calorias do que um hambúrguer, mas qual te oferece mais nutrientes? 

Voltando... 

Ellen tem uma história em comum com muitas meninas e mulheres que desenvolvem o transtorno alimentar. Começa com uma dieta para perder 3 kg, que depois passa a ser 10 kg, 15kg até chegar em desnutrição, onde acontece perda de cabelo, energia para viver, para a menstruação. E em casos mais grave a morte. 

Mas porque a Ellen pode ser tão parecida com você? 

Porque ela também pensa que pode controlar cada grama do que come, cada kg que perde ou ganha, trata o corpo como se fosse uma simples máquina que existe para ser visto, exaltado e colocado no patamar de beleza inatingível da sociedade. 

Uma frase que se escuta bastante das idealizadoras da nutrição comportamental é: Nem toda dieta vira transtorno alimentar, mas todo transtorno alimentar começa com uma dieta. 

Isso que dizer que algo que parece inocente pode se tornar uma doença grave. 

Crédito: www.portalitpop.com
Outra cena que chamou a atenção foi a Ellen ser responsabilizada, por outros personagens, pela morte de outra menina com transtorno alimentar. Ellen tinha tumblr onde divulgava desenho exaltando a bulimia e anorexia, uma garota a acompanhava e seguia o que era divulgado em seus desenhos e acabou chegando a óbito. 

Ellen está dentro de um transtorno psiquiátrico, logo não tem plena consciência do que está fazendo, por isso não pode ser responsabilizada pelos desenhos. 

Mas o que quero chamar a atenção é a responsabilidade que temos quando divulgamos fotos de comida e nossa forma de comer nas redes sociais, principalmente quando você é profissional da saúde. 

É comum vermos nas postagens #gordice, #saidadieta, amanhã eu compenso, vou fazer muito exercício para compensar o que comi ontem, regra: "gostou, cospe!", comer na frente do espelho, trocar suplemento por comida, dieta da moda das mais variadas possíveis. 

Ufa! São tantas práticas que induzem transtorno alimentar que não nos damos conta da gravidade do assunto. 

A falta de noção da gravidade é escancarada pela atriz, que interpretou Ellen, estar recebendo elogios por estar tão magra. É algo como: "Não importa se é doença, o que importa é que está magra". Onde estamos chegando, gente? 

Transtorno alimentar é uma doença, que precisa ser tratada e não exaltada. 

Ninguém é vitorioso por ficar horas sem comer. Aliás viver não deveria ser uma competição, principalmente quando estamos tratando de algo tão importante para nossa saúde, como a comida. 

Ps: Se você tem transtorno alimentar e não assistiu o filme ainda converse com seu psicologo/psiquiatra para ver o que ele orienta já que o filme pode despertar sentimentos adormecidos. 

*O tratamento no filme acontece com um médico e um psicologo, mas na realidade o tratamento de transtorno alimentar envolve médico, psicologo, nutricionista, educador físico e se necessário outros profissionais também. 

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Beijo e até próxima! 


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